09/03/2017 às 13h38min - Atualizada em 09/03/2017 às 13h38min

Maurição

Ali na região da “divisa” entre o Boa Vista e os Estados Unidos, é difícil achar alguém que não conheça o Maurição, como é chamado o senhor Maurício Silvestre Antônio. O pessoal que vai às compras em algum comércio das redondezas é sempre abordado por Maurição, que não perde a chance de pedir uns trocados.

Seria Maurição um mendigo? Não exatamente. É um andarilho, um pedinte que não faz mal a ninguém, apesar do porte parrudo e da cara algumas vezes fechada. Quando está de mau humor, é de poucas palavras. Mas se o dia é bom, bate um papo e quer sempre conversar mais. Além das moedas, pede atenção dos moradores e clientes dos mercados da vida. Se o freguês está com pressa, deixa Maurição falando sozinho, literalmente.

Com “problemas na cabeça”, Maurício é conhecido de muitos e mesmo assim solitário. Recentemente “sumiu” das ruas. Onde andaria? Pergunta pra um aqui, fala com outro ali, descobrimos que ele estaria em um asilo.

E estava mesmo. Ele mesmo confirmou. Outro dia o encontramos ali na Quinta da Boa Esperança. “Fui pro asilo, me colocaram lá por causa do diabetes. Mas eu entro e saio. Diabete tem que cuidar, senão cega e mata”, diz, bem informado. A família, que antes morava na Quinta, agora se mudou pro bairro vizinho, o Estados Unidos. Tudo “área” de Maurição, que não se cansa de andar a pé por aí, normalmente de bermuda e botina.

Natural de Itumbiara-GO, Maurição não lembra há quanto tempo está em Uberaba. Mas da idade ele não esquece. “Eu tenho 58, daqui a dois anos faço 60, vou mesmo”, conta, parecendo ansioso para completar a data “redonda”. Pois é, enquanto muitos escondem os anos, ele faz questão de falar a idade e se orgulhar dela. “Se quiser eu mostro meu documento”, diz, e mostra mesmo.

Nos primeiros anos na região, Maurição era chamado pela molecada da vizinhança de “homem do au”. Ele andava carregando tranqueiras e dizendo palavras desconexas. Era “au, iu, ou, ei” e por aí vai. Talvez a garotada se assustasse. Com o tempo, porém, as crianças, hoje já adultos, fizeram amizade com Maurição, que tem um bom coração.

Bom de conta, Maurício às vezes “exige” qual moeda quer ganhar. “Me dá de um real”. Se o dinheiro for menos que o esperado, ele se consola. “25 centavos? Tá, mas preciso de quatro para dar um real”. E se você fala que não tem nadinha? “Não é possível, você tem sim”, diz, não em tom ameaçador, mas engraçado.

O sumiço de Maurição fez muita gente sentir falta dele, mas sua ausência é como a de muitos mendigos, que estando ou não ali, não faz diferença.

Se cuida, Maurição! E, quando a gente falar que não tem nem um centavo, você emenda como sempre: “Depois então! Amanhã dá certo!”.


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