08/03/2017 às 09h10min - Atualizada em 08/03/2017 às 09h10min

As confusões e o desejo feminino

Na sexta-feira passada assisti ao filme “Cinquenta Tons Mais Escuros” (não vou dar spoiler). Também assisti seu antecessor, “Cinquenta Tons de Cinza”, que atingiu alta bilheteria e foi bastante polêmico. Os filmes são inspirados no romance erótico de Erika James que rapidamente se tornou um best-seller mundial.

Apesar do sucesso, críticos denunciam as falhas do filme e os supostos absurdos da história. Ficam indignados: como algo de tal má qualidade faz tanto sucesso? Da maneira mais fácil, essa incoerência costuma ser respondida atribuindo estupidez ao público.

No entanto, não se percebe que o romance precisa de um pouco de ficção para funcionar e nas ficções os exageros são válidos para expressar uma ideia. Também é verdade que “Cinquenta Tons de Cinza” é uma versão leve e existem filmes que apresentem relações sadomasoquistas de maior intensidade. Mas a questão do filme não é essa. Ele fala de fantasias e do desejo feminino – de uma forma que parece simples e clichê, porque ainda preferimos não saber sobre esse assunto.

Ainda não nos acostumamos com o desejo feminino, nem as próprias mulheres, porém, para os homens, isso ainda é um terror. Difícil pensar nas mulheres (filhas, esposas e mães) gostando de boas palmadas, quando cuidar do lar parece a vocação natural delas. O filme assusta porque mostra que mesmo as mulheres ‘simples’ e ‘inocentes’ esperam mais dos homens.

O romance e os filmes merecem ser lidos e vistos com outros olhos, mas para isso pode ser preciso um pouco de honestidade consigo próprio. A propósito, fala-se muito da dominação exercida por Christian, mas será se Anastasia também não apresenta algum tipo de dominação sobre ele?

Um recado importante para as mulheres (aqui com SPOILER):

Antes do filme passou o trailer do novo “A Bela e a Fera”. É uma história clássica que mostra uma jovem mulher capaz de fazer a Fera, bruta e selvagem, se apaixonar por ela e com isso transformá-la (a Fera) em um príncipe. Em “Cinquenta Tons mais Escuros” uma história análoga se repete: o amor de Anastasia por Christian fará com que ele se cure de seu sofrimento e traumas infantis.

Tem feito parte da cultura e da educação feminina que com amor, persistência e paciência as mulheres podem mudar os homens (curá-los, melhorá-los ou transformar feras em príncipes encantados). Cuidado mulheres, muitas vezes isso não acontece.


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