03/03/2017 às 16h56min - Atualizada em 03/03/2017 às 16h56min

Está triste? Ria bem alto!

Não é a primeira vez que me pego sorrindo desenfreadamente quando eu poderia encher alguns baldes com as minhas lágrimas.

A minha infância foi um chororô. Eu chorava por tudo e ouvia minha mãe dizer que eu “ficaria enrugada” de tanto chorar.

Minha irmã, aquele poço de sensibilidade, me apelidou de Isaura (Sally Brown), personagem do Snoopy.

Exageros à parte, a Isaura era rabugenta e histérica e, precocemente, as rugas apareceram não pelo choro, mas pela ausência de melanina da cútis branca.

Criança chora mesmo. Por tudo. Um choro sentido que corta o coração de quem vê, exceto o de algumas irmãs (risos).

Adulta, descobri que choro mais pelos outros. A dor do outro me comove muito e, imediatamente, transformo isso em lágrimas. Já com as minhas dores, elas estão sempre escondidas atrás de um bom humor irritante.

É claro que algumas sessões de terapia me ajudariam chorar e sofrer por mim. Poderia lamentar as perdas e desilusões amorosas, chorar os meus fracassos e decepções, mas minha mãe tinha razão: chorar enruga a pele.

Não me lembro de quando foi que transformei dor em risos. O fato. O momento crucial em que abandonei as lágrimas para rir do que me fazia infeliz, mas sei que não faço isso para mostrar que sou durona, uma fortaleza em forma de mulher ou a Mulher Maravilha.

Honestamente, sempre preferi heróis de carne e osso. Sem armaduras e sem superpoderes. Não, pessoa! Não estou dizendo que sou uma heroína de verdade só porque engulo o meu sofrimento e arroto uma gargalhada bem alta!

Estou dizendo que chorar realmente faz bem para desabafos necessários ao longo das nossas trajetórias, mas rir faz um bem ainda maior.

O riso espontâneo diante de um sofrimento mostra o quão preparado você estava para aquele acontecimento. O riso diante de um fracasso revela que você não sairá correndo para a cama, mas que na próxima esquina, o fracasso terá ficado para trás e os planos de novos desafios já estarão borbulhando em meio à massa encefálica.

Rir diante das nossas tragédias individuais espanta males como olho inchado, rosto vermelho e fronhas e lençóis encharcados.

Rir esconde tristezas que não é preciso que fiquem expostas a todos. A dor é sua e, a menos que você goste de despertar a piedade alheia, empine o nariz, engula o choro e valorize o que restou do que se perdeu. Valorize o aprendizado que sempre fica depois de uma decepção. Valorize o preço pago pela máscara de cílios, se usar, é claro.

Enfim, chorar faz um bem danado. Se você quer chorar, chore. Eu também quero, mas prefiro “deixar você me ver chorar, sorrindo”.


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