24/02/2017 às 14h52min - Atualizada em 24/02/2017 às 14h52min

O Brasil e o Oscar: quando quase chegamos lá!

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O Pagador de Promessas[/caption]

A entrega das estatuetas do Oscar pela Academia já é mais que uma premiação lendária e em sua 89ª edição pode se concluir com segurança que mais uma vez o mundo todo se encontrará com dedos cruzados torcendo pelos seus favoritos. Desde o início da década de 1960, nosso país escolhe seus melhores longas-metragens para concorrer na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Já foram mais de 40 filmes inscritos para a corrida do grande prêmio, mas apenas 4 conseguiram a indicação:  O Pagador de Promessas, O Quatrilho, O Que é Isso, companheiro? e Central do Brasil,mas nenhum desses trouxe o prêmio pra casa.

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Central do Brasil[/caption]

Esse último rendeu a indicação de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro. Obras de produção brasileira com estrangeira conseguiram indicações e até mesmo ganhar a estatueta, como no caso de Orfeu Negro, filmado e produzido no Brasil mas de direção francesa (Marcel Camus). O beijo da Mulher Aranha, do grande cineasta argentino Babenco, é outra produção de duas nacionalidades (EUA e Brasil), que além de ser indicado nas 4 principais categorias, William Hurt ganhou como Melhor Ator.

Em 2003, Cidade de Deus dava como certa a sua indicação a Melhor Filme Estrangeiro, levando em consideração a enxurrada de prêmios que a obra de Fernando Meirelles vinha ganhando em diversos festivais pelo mundo todo, mas foi ignorado, ficando de fora da disputa. Críticos e alguns cineastas afirmavam que mesmo sendo uma produção colossal o longa não fora indicado na categoria por conter imagens e momentos de extrema violência. Contudo, em 2003 o filme é relançado nos Estados Unidos e quando ninguém mais esperava, Cidade de Deus volta com uma tremenda força e surpreende recebendo 4 indicações pela Academia: melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia e melhor edição.

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O Beijo da Mulher Aranha[/caption]

Além de Melhor Filme Estrangeiro, nosso país conseguiu algumas indicações ao longo da história. A primeira  surgiu pela trilha sonora de Ary Barroso com sua canção “Rio de Janeiro” disputando a estatueta na categoria de Melhor Canção pelo filme “Brazil”. Em 2001, o curta-metragem Uma história de futebol do cineasta Paulo Machline conseguiu a indicação em melhor curta metragem live-action. Pouco tempo depois, nosso país era de alguma forma representado, o longa Diários de Motociclista dirigido por Walter Salles e coprodução de diversos países, chegou a premiação com duas indicações: Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original. Venceu na última com a música “Al otro lado del río” de Jorge Drexler. Em 2011 e 2015, O Lixo Extraordinário e O Sal da Terra foram indicados, respectivamente, em Melhor Documentário. A canção Real in Rio, dos brasileiros Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, nos fez crescer as esperanças com a animação “Rio”, mas perdeu para “Man or Muppet”, do filme Os Muppets.

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O Quatrilho[/caption]

Nessa última edição, todos davam como certa a indicação de “Aquarius”, a obra-prima de Kléber Mendonça Filho com belíssimo protagonismo de Sonia Braga, para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro, o que não ocorreu. Mesmo sendo ovacionado em Cannes e levando diversos prêmios em outros festivais, o governo escolheu como representante o filme “Pequeno Segredo” de David Schurmann. Claramente uma retaliação pelo protesto que a equipe de Aquarius construiu no tapete vermelho da premiação francesa contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Não é a Academia que vai definir se um longa-metragem é bom ou ruim, o cinema tá muito além das premiações. Logo, o nosso cinema nacional é um poderoso aparato de arte e cultura para a sociedade brasileira, mesmo não conseguindo devido reconhecimento de nossa parte, ele continua sendo um expoente de expressão de indivíduos marcados por experiências diversas em seu tempo e espaço.

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O Que é Isso, companheiro?[/caption]
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