16/02/2017 às 12h08min - Atualizada em 16/02/2017 às 12h08min

O Rei do Split...e da simpatia!

Para uma pausa e uma refrescada, o UP convida os leitores para dar uma passadinha lá na sorveteria Rei do Split, na avenida José Maria dos Reis, perto da Oswaldo Cruz, no bairro Estados Unidos. A variedade e a qualidade dos sabores conquista os clientes, mas o que mais chama a atenção é a presteza e a educação no atendimento do dono, o senhor Hélio Fukuda.

Freguês habitual do estabelecimento, o repórter quis destacar nessa edição do “Retratos da Rua” justamente o bom atendimento do proprietário e, dessa vez, antes de fazer seu pedido (e ficar na dúvida sobre qual sabor escolher), bateu um papo com seu Hélio.

Uberabense, o simpático comerciante abriu a Rei do Split há 13 anos, depois de passar 14 no Japão. Mas, antes, ele trabalhava em um varejão. “Meu pai comprava e eu vendia. Quando meu pai faleceu, meu irmão mais novo passou a comprar, mas aí não deu muito certo. Você tem que saber comprar, tem que ganhar na compra e na venda”, comenta.

Com os negócios em baixa, pintou um convite para ir para o Japão. A oportunidade veio em momento bom para mudar de ares. “Era para trabalhar muito, mas ganhar bem. Fui para ficar só por dois anos, terminando o contrato eu voltaria. Acabei ficando 14 anos, gostaram do meu serviço e do meu jeito”.

No Japão

Assim, em 1992, Hélio e um dos sete irmãos atravessou o globo para trabalhar no ramo de construção civil na cidade de Kasukabe. Deixou pra trás a esposa e os filhos, então com 4 e 5 anos. Ele trabalhava fazendo o acabamento em obras de rodovias. “Sempre trabalhei em estradas, mas comecei nas máquinas, depois passei para o acabamento manual, em meio-fio, em locais onde não tinha como ser com máquina. Gostaram tanto do meu capricho que me elogiaram e fiquei 14 anos”.

Do idioma, Hélio aprendeu só o básico. No começo, a dificuldade maior foi a comida. Ele e o irmão não gostaram das iguarias japonesas e trabalharam até com fome nos primeiros dias. “O patrão, que falava um pouco de brasileiro, perguntou se eu sabia cozinhar e eu disse que sim, e ele falou para eu cozinhar no escritório dele. No primeiro dia, fiz arroz, bife de porco, salada, tudo com tempero brasileiro, servido separado nos pratinhos, como é lá. Convidei o shatyo (pronuncia-se “chatiô”, o patrão) e ele gostou tanto que perguntou se podia jantar lá todo dia. Eu disse ‘oh shatyo, seria uma honra’, e ele passou a pagar tudo que eu comprava para cozinhar e jantava lá com a gente todo dia”.

Após um ano, a esposa e os filhos de Hélio foram para o Japão também, ficando lá até o retorno, 13 anos depois. O shatyo providenciou escola para as crianças e o apartamento para a família – até então Hélio morava em um alojamento.

De volta ao Brasil

De volta a Uberaba, Hélio não pretendia abrir uma sorveteria, porém, uma oportunidade mais uma vez apareceu. “Eu morava no Mercês e ia abrir uma casa de ração por lá, mas minha casa aqui no bairro (Estados Unidos), que estava reformando, ficou pronta, um dia passei aqui na frente, onde era uma papelaria, e estava fechando, bati o olho e disse ‘vou abrir uma sorveteria aqui’. Fiquei cinco, seis anos como franqueado da K-2, que na época era um sucesso em Uberaba, mas fechou de um dia pro outro. Peguei da Sorriso por um mês, mas os clientes não gostaram, estava acostumados com outro sabor, esse da Sorriso era muito doce. Fiquem sem saber o que fazer e aí o Esdras, que trabalhava na K-2, perguntou se eu queria que ele fabricasse pra mim. Claro que queria, e desde então ele montou uma pequena fábrica e fornece só pra mim”.

Chegamos aonde queríamos. Vamos falar da sorveteria Rei do Split, que tem, então, fórmula exclusiva. São cerca de 30 sabores. Nos fins de semana, os três freezers ficam ocupados. Os sabores, a variedade e a qualidade das delícias conquistam a clientela. Os “splits”, no copo ou na cestinha, são a especialidade da casa, podendo ser servidos com frutas – tem banana, manga, abacaxi... Na hora de servir, seu Hélio é generoso. Mas o que cativa mesmo o freguês é o atendimento.

São palavras que até nos desacostumamos a ouvir em comércios por aí. “Bom dia, fique à vontade”, sempre com um sorriso. Seu Hélio dá sugestões com um tom de voz que transmite paz e prazer por trabalhar. “Esse é maravilhoso, esse é muito refrescante”, diz, indicando um ou outro sabor. E se a pessoa quiser o sorvete com frutas? “Tem a manga palmer, maravilhosa, ou o abacaxi, que é pérola, delicioso. Só fruta de primeira”.

Educação e cortesia no atendimento

Seu Hélio atende sozinho, mostrando que sua atenção é o diferencial. “Eu tinha outras funcionárias, mas o pessoal queria que eu atendesse. Mostravam a casquinha que elas montavam e não era a mesma coisa, no fim de semana tinha fila esperando para que eu atendesse e elas ficavam sentadas”.

O estabelecimento simples é um sucesso e o motivo é fácil: “É só atender bem, ter um produto de qualidade, um local limpo. Não tem segredo”.

Passa lá na Rei do Split, na avenida José Maria dos Reis, que abre por volta do meio-dia e funciona “até umas sete da noite e, nos fins de semana, até mais tarde, dependendo do movimento, porque está muito perigoso”. Só não vai terça-feira, dia de folga de Hélio, que vai para a roça. “Gosto de pescar, cuidar das coisas lá, planto mandioca, banana”. Quase sempre ele vai com o filho mais velho, Rafael. “Mas últimas vezes ele não foi porque está pra nascer o filho dele”. Além de Rafael, seu Hélio é pai de Pedro, que está no Japão, e tem um casal de netos – mais um menininho está pra chegar.

Após nosso papo, pedimos uma cestinha split com manga. Obrigado, seu Hélio! “Venha passear mais vezes, é um prazer servi-los”, despede-se o sorveteiro.


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