29/01/2017 às 15h04min - Atualizada em 29/01/2017 às 15h04min

Toninho da Viola

No Mercado Municipal, encontramos um artista recebendo os visitantes com música. É Antônio Lubianchi, nome por demais pomposo para um sujeito simples, que, por sinal, prefere ser chamado pelo apelido: Toninho da Viola. Simples, como são as coisas boas da vida.

No amontoado de pessoas que aproveita o domingo para passear num local que é uma atração turística da cidade, muitos esquecem que é domingo, que é um passeio, e vão passando apressados, sem prestar atenção ao talento de Toninho, que dedilha as cordas da viola e tira melodias serenas, sentado em uma cadeira de rodas. Um ou outro para, contempla, escuta, se encanta com o dom do paulista que mora em Uberaba há mais de 40 anos e há trinta vive da música, seja tocando nos palcos, na TV, ou dando aulas de diversos instrumentos.

“Sou de Barretos, vim de São Paulo pra cá faz 41 anos. Já vivi no mato, fui arrancador de toco”, conta nosso personagem, que vai tocando enquanto conversa com a gente. Antes de ensinar, estudou, para se aperfeiçoar. “Comecei sozinho, mas depois vi que tinha que estudar, sozinho ninguém aprende direito”.

Na porta do Mercadão, ele tenta vender seus CDs, e diz que já ganhou muito dinheiro. São muitas as histórias. “Já fui rico duas vezes, e preso umas dez mil vezes. Na época da ditadura você não podia sair andando com viola por aí sem ter carteira assinada. Tive um programa de TV por 17 anos. Agora fico mais em casa, porque um motoqueiro me pegou faz uns três anos”, narra.

No acidente citado, machucou o pé esquerdo e, com a sequela, até hoje tem que andar de cadeira de rodas. Casado, pai de dois filhos, morador do bairro Estados Unidos, o violeiro vive com a aposentadoria concedida pela LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) e tenta descolar uns trocados com os CDs. Já gravou três. Ele mostra o último, “Eu perdi o seu amor”, em que apresenta composições próprias e sucessos de grandes artistas. O disco tem faixas instrumentais e outras em que ele toca e canta.

Para quem tem tempo para parar, Toninho ainda declama poemas. Quem quiser comprar os CDs de Toninho da Viola ou escutar boa música ao vivo, ou simplesmente bater um papo com o artista, é só ir ao Mercadão aos sábados e domingos. Mas vá sem pressa!

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