26/01/2017 às 20h38min - Atualizada em 26/01/2017 às 20h38min

Médicos das UPAs aderem paralisação e apenas casos graves são atendidos

Médicos das duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Uberaba, deram início, nesta quinta-feira (26), a uma paralisação por tempo indeterminado. O atendimento de casos clínicos foi interrompido e apenas urgências e emergências estão sendo tratadas no local. O motivo da paralisação é o atraso do salário da equipe médica.

Na última terça-feira (24), os profissionais da saúde já haviam avisado que se nada fosse acordado com a Prefeitura Municipal de Uberaba e a Pró-Saúde – responsável pela gestão e operacionalização das unidades - eles iriam aderir à paralisação. Os atendimentos voltarão à normalidade quando o pagamento dos salários for efetuado.

Nota encaminhada à imprensa descreve as exigências que deverão ser atendidas para que os médicos não suspendam as atividades. Entre elas, o acerto do salário referente ao mês de dezembro e a solução para as faltas recorrentes de medicação e materiais “imprescindíveis” para o atendimento à população.

Paralisação. As portas da unidade do Parque do Mirante e São Benedito amanheceram com uma faixa exposta na entrada, que explica o motivo da paralisação. Os pacientes que chegarem às unidades passarão por uma triagem, onde os médicos e enfermeiros avaliarão a gravidade do atendimento. Segundo os médicos, os pacientes que apresentarem casos menos graves ou clínicos serão orientados a procurarem uma Unidade Básicas de Saúde (UBS).

Um dos médicos da UPA do Parque do Mirante explicou que o pagamento é feito com atraso desde o ano passado. “Estamos cansados de sempre ter atraso no pagamento. Já estamos no fim de janeiro e ainda não recebemos referente a dezembro. A paralisação não é apenas pelo atraso desse último mês, mas também os dos outros meses, em que sempre recebemos o salário muito tempo depois do combinado”, diz.

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), alegou não estar em débito com a equipe médica das UPAs. A SMS ainda informou que a Pró-Saúde recebe mais de R$ 2 milhões para gerir as duas unidades, e que esse repasse é dividido em uma contrapartida da Prefeitura de Uberaba e o Estado. No entanto, desde junho do ano passado, o Estado não realiza o pagamento. A Secretaria já encaminhou um ofício para o secretário estadual, com cópia para a gerência regional de saúde, mas ainda não obteve retorno.

Além disso, a Prefeitura explica que o que tem prejudicado a atuação e alavancado os gastos das Unidades de Pronto Atendimento, são as internações feitas em casos graves, já que as UPAs deveriam ser usadas apenas para casos de urgência e emergência e não para internações.

A Prefeitura informou, em nota, que avalia os casos de internações, juntamente com os órgãos responsáveis e tenta solucionar a questão. “A solução de grande parte do problema está atrelada a abertura do Hospital Regional, que já está pronto e aguarda apenas a assinatura do convênio de custeio de 50% com Governo Federal para funcionar. A Prefeitura está empenhada junto ao Governo Federal, ao Governo do Estado e junto à direção da Pró-Saúde para avaliar a série histórica dessas internações e resolver o impasse”, explica a nota.

O Uberaba Populartentou contato com a Secretaria de Estado de Saúde, para questionamento quanto às dívidas de repasse, mas as ligações não foram atendidas.

Em nota, a Pró-Saúde diz que recebe um valor mensal para prestar os serviços que rezam o contrato, porém, “a realidade do município tem gerado demandas de atendimento, além das estipuladas no documento acordado entre a instituição e a Prefeitura, e também acima da estrutura dimensionada de atendimento das UPAs [...] a demanda vem acarretando gastos excedentes para a Pró-Saúde e, por isso, embora a Prefeitura esteja cumprindo o pagamento em dia, os recursos não são suficientes para a gestão das unidades de pronto atendimento”, revela trecho.

De acordo com a informação divulgada à imprensa, tanto a Prefeitura quanto a Pró-Saúde estão em tratativas para a busca de uma solução jurídica e técnica para complementar as despesas extras, bem como o reajuste contratual.

“A Pró-Saúde esclarece que os atrasos de pagamentos dos honorários médicos, de prestadores de serviços e terceiros, além de fornecedores de insumos, ocorrem devido à falta de recursos complementares para cumprimento destas obrigações.  Os estoques de medicamentos e insumos das unidades estão normais e abastecidos e, com a paralisação dos médicos, as UPAs 24h Mirante e São Benedito estão atendendo somente casos de urgência e emergência”, conclui a nota.


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