04/04/2020 às 07h12min - Atualizada em 04/04/2020 às 07h12min

Depois do coronavírus

Pandemia deixará luto e colapso financeiro, mas devemos ser melhores quando tudo isso acabar

Janaína Sudário

De repente o mundo enlouqueceu. Não somos mais livres. Nos tornamos reféns de um vírus, de uma epidemia, de uma pandemia, de um monstro invisível.

Há quem diga que o coronavírus (covid-19) é apenas uma gripezinha. Há os que o comparam à terceira guerra mundial, mas entre extremos, cada um sabe o caos que a doença está causando nas nossas vidas.

Da mudança forçada de hábitos, do cerceamento da nossa liberdade, do colapso financeiro na economia das grandes potências mundiais, inclusive, da nossa casa.

Quem são estes 2 ou 10% que morrerão para provar que a doença tem baixa letalidade? Quantas são as famílias que verão os seus mortos virarem índices para os que ignoram a dor da perda de quem amamos?

Quantos profissionais perderão os seus empregos? Quantos empresários perderão os seus sonhos, depois de baixarem, definitivamente, as portas dos seus empreendimentos?

Na televisão, o discurso político dá náuseas. O vírus ganhou status de ferramenta de campanha e a nossa saúde de palanque. Na disputa entre vaidade e ignorância, perdemos todos. É necessário aprimorarmos o discernimento para filtrar o que é jogo e realidade e evitarmos o nosso enlouquecimento.

Na mesma televisão, há exemplos de solidariedade, que deveriam ser praticados desde sempre, mas ainda dá tempo de aprendermos que não estamos sozinhos no mundo e que precisamos de todos em seus devidos lugares.  

Nas redes sociais, tanto luxo e ostentação deveria nos fazer refletir sobre o nosso conceito de deuses e deusas.  

Sugiro que absorvamos a guerra política, a guerra científica e a guerra financeira e, nem que seja por alguns minutos, olhemos para o que somos, para o nosso posicionamento no mundo e para as lições que este momento está nos forçando a aprender.

Sugiro refletirmos sobre a importância que damos às coisas mais simplórias como se sentar em uma praça (coisa que amo fazer), cumprimentar o conhecido na padaria com aquele sacolejo das mãos ou abrir a geladeira do supermercado sem preocupação.

O ir e vir diário, quase martirizante, já nos faz falta e concluímos que é mesmo muito difícil entreter idosos e crianças durante as 12 horas do dia.

O processo será dolorido para todos e individualmente parece ainda pior.

Com hábitos e costumes alterados, países arruinados financeiramente, luto em milhares de casas, depois de tudo isso ainda seremos nós.

Depois de tudo isso, teremos a percepção de que não somos donos dos nossos destinos, mas a obrigação de sairmos deste período melhores do que entramos.
 
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