11/04/2021 às 17h05min - Atualizada em 11/04/2021 às 17h05min

Covid-19 evidenciou a maldição da sociedade: o egoísmo

A pandemia do coronavírus alcançou números assustadores no Brasil neste último mês. Recordes de mortes diárias em quase todo o país, escassez de medicamentos e insumos para tratamento e estrangulamento do sistema de saúde.

Enquanto para mais de 350 mil pessoas, a Covid-19 não teve cura, muitos ainda não dão a importância necessária aos cuidados necessários para reduzir a taxa de transmissão.

A doença evidenciou a ignorância de um povo que norteia os seus aprendizados em postagens de redes sociais, que confunde informação com teoria da conspiração contra governos e que tem a corrupção entranhada nas suas origens.

O sistema político brasileiro é tão contestável que consegue enxergar em uma calamidade pública, tal qual a pandemia, possibilidade de favorecimento próprio, enriquecimento ilícito, sem obstruções e fiscalizações. Velhos conhecidos, larápios disfarçados de autoridade pública eleita, destinando recursos para onde e como querem, enquanto a sociedade é castigada pela bandidagem em prol da democracia.

Boa parte da sociedade também não contribui. Depois que muitos aprenderam o que é crise econômica, através de mensagens do Facebook e Instagram, temos uma nação de cientistas políticos que ignora a ciência na medicina. Continuam enxergando a doença como uma jogada política ou como uma mal-estar passageiro. Não entendem que o desrespeito ao que sugerem especialistas em doenças infectocontagiosas prolongará o sofrimento, inclusive financeiro, da maioria da população.

Como se não bastassem as evidências da ignorância, o ser humano se mostra deturpado. Há uma maldição na humanidade que a faz egoísta demais para se sensibilizar com a dor do outro.

Outro dia, fui questionada por ter colocado no site do Uberaba Popular o símbolo de luto pelas vítimas da Covid-19 e sofri ataques histéricos, como se fosse proibido ser complacente com a dor das famílias que estão perdendo as pessoas que amam. Naquela semana, Uberaba batia recordes de contaminação e mortes, seguindo a tendência nacional. O intuito foi promover a conscientização da sociedade: “Ei, olhem aqui! São pessoas morrendo”.

Do mesmo modo, coloco o logotipo do portal rosa, durante a campanha do Outubro Rosa, que mundialmente tenta alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama. O azul, o amarelo e todas as cores de alerta à população quanto aos cuidados com a saúde. Jamais, ao utilizar o preto, que significa luto, tive a intenção de alarmar pessoas, dramatizar e instaurar o caos, como fui acusada, sem qualquer direto de reposta ou defesa, uma vez que essas manifestações nunca estão abertas ao diálogo sensato e respeitoso.

Quando me vi apaixonada pelo jornalismo, o que ainda sou, encontrei uma brecha para tentar dar voz às necessidades da população. Queria evidenciar a obscuridade do sistema político. E, com um pensamento inocente e demasiadamente literário, o desejo era conseguir estimular a sociedade a pensar, questionar, cobrar direitos e exercer a função de transformar os espaços que habitam. Mesmo com a enxurrada de desrespeito à profissão, ainda acredito ser possível.

Lamentavelmente, não posso dizer que o jornalismo é inocente quanto aos ataques que tem sofrido. As críticas, por mais que sejam proferidas por pessoas de caráter ainda mais duvidoso e replicadas de forma robótica por terceiros, que não sabem o que defendem, não são totalmente infundadas.

Houve e há interesses de todos os lados e eles são defendidos dentro das empresas de comunicação em todo o país. Mas, isso também não dá, a quem quer que seja, o direito de impedir o raciocínio e o questionamento. Também não é justificável condenar aqueles que querem atuar dentro da ética e da imparcialidade que o jornalismo exige.

Qualquer profissão é questionável, já que são executadas por pessoas, egos, vaidades, interesses e valores distintos. Há médicos que conduzem as suas carreiras baseadas no lucro financeiro, mas há os que detém o desejo de salvar vidas. Assim, são os engenheiros, os padeiros, os marceneiros, as domésticas. Assim ocorre em tudo o que fazemos.

Continuo defendendo a empatia. O luto adotado pelo portal será mantido,0 porque, verdadeiramente, eu sinto muito pelas perdas que as pessoas têm sofrido.

Continuo defendendo o jornalismo como o escape da população, que ainda procura a imprensa para fazer a sua voz chegar aonde ela não alcança. E isso não está relacionada à minha posição política, em fazer parte do grupo da esquerda ou da direita e, muito menos, de partidarismo.

Eu continuo sendo a eleitora que sonha com o exercício da democracia, justo e de fato. E que os profissionais atuem, no jornalismo ou qualquer outra área, com os princípios morais que nos são exigidos.  
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Janaína Sudário

Janaína Sudário

Jornalista | Marketing

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